estudio realidade

Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005:

Recado Urgente:

O seu adorado, amado, ímpar, onipresente ESTÚDIO REALIDADE mudou de endereço.

O novo endereço é: www.estudiorealidade.zip.net

Dê um pulo até lá e confira: poemas tortos (agora sim sem as limitações do blogger), ensaios, fotos, opiniões, links, etc e tal.

Dê um pulo até lá e xingue, esperneie, concorde, debata, reflita, ...

Um abraço a todos fãs e inimigos deste espaço (posso contar nos dedos)

V.L // 1:38 AM
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Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005:


Cerâmica: Sem Título (Siron Franco)

deuses

eis-me aqui
malditos deuses
com minhas asas tolhidas
por suas unhas de
ferrugem respirando este ar
sujo de fuligem resíduo de seus
pulmões de cobre


eis-me aqui
algozes deuses
filhos de generais decadentes, acossado por
estiletes de aço que comprimem minhas artérias
agulhas injetando líquidos sintéticos em minhas
veias saltadas da pele da garganta gangrenada


eis-me aqui
falsos messias títeres empalhados pela
palha ceifada por minhas mãos enrugadas de
barro seco
covarde que entrega o próprio irmão ao sermão
obtuso do inimigo


eis-me aqui
assombrações de minha infância
(como temia atravessar a praça de vegetação
seca e enfrentar aqueles enormes dorsos de dor e suas
sombras funestas)
seus corpos de bronze já não me amedrontam
com suas rachaduras e excrementos de
pássaros


eis-me aqui
agora coadjuvante de meu próprio enredo
escória escarrada pela boca
muda imperativa e impiedosa
diante de vossos bustos


eis-me aqui
ente (e)rrado sob o solo liso
esma (gado)
pelos seus polidos pés até que os ossos
virem pó e sirvam de alimento para a
pá (z)
dos coveiros


V.L // 11:11 PM
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DA SÉRIE: OBJETOS QUE FALAM


V.L // 11:32 AM
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Segunda-feira, Fevereiro 07, 2005:

CAVERNA DO DRAGÃO

José Patrício Neto (www.poesiapapangu.zip.net)


Neruda encontrou Borges

no céu ou no inferno

não se sabe



Talvez num labirinto

ou dentro de um

espelho



Talvez os dois rezando

morrendo de medo



Talvez os dois tentando

voltar para a América do Sul

com as dicas do Mestre dos Magos



Talvez Borges resmungando:

ah! Esse maldito unicórnio

V.L // 7:02 PM
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Reflexões carnavalescas




Tradução da carta enviada ao Presidente dos EUA por Robert Bowan , Tenente-Coronel e ex-combatente do Vietnã , atualmente Bispo da Igreja Católica na Flórida :

"Senhor Presidente :

Conte a verdade ao povo , Sr. Presidente , sobre terrorismo. Se as ilusões acerca do terrorismo não forem desfeitas , então a ameaça continuará até nos destruir completamente.
A verdade é que nenhuma das nossas milhares de armas nucleares pode nos proteger dessas ameaças. Nenhum sistema "Guerra nas Estrelas" (não importa quão tecnicamente avançado seja , nem quantos trilhões de dólares sejam despejados nele) poderá nos proteger de uma arma nuclear trazida num barco, avião , valise ou carro alugado.
Nenhuma arma sequer do nosso vasto arsenal , nem um centavo sequer dos US$270.000.000.000,00 (isso mesmo , duzentos e setenta bilhões de dólares)gastos por ano no chamado "sistema de defesa" pode evitar uma bomba terrorista. Isto é um fato militar.
Como tenente-coronel reformado e freqüente conferencista em assuntos de segurança nacional , sempre tenho citado o salmo 33 : "Um rei não é salvo pelo seu poderoso exército , assim como um guerreiro não é salvo por sua enorme força".
A reação óbvia é : "Então o que podemos fazer? Não existe nada que possamos fazer para garantir a segurança do nosso povo?" Existe. Mas para entender isso , precisamos saber a verdade sobre a ameaça.
Sr. Presidente , o senhor não contou ao povo americano a verdade sobre o porquê de sermos alvo do terrorismo , quando explicou por que bombardearíamos o Afeganistão e o Sudão.
O senhor disse que somos alvo do terrorismo porque defendemos a democracia , a liberdade e os direitos humanos no mundo...Que absurdo , Sr. Presidente!
Somos alvo dos terroristas porque , na maior parte do mundo , nosso governo defendeu a ditadura, a escravidão e a exploração humana.
Somos alvo dos terroristas porque somos odiados. E somos odiados porque nosso governo fez coisas odiosas.
Em quantos países agentes do nosso governo depuseram líderes popularmente eleitos , substituindo-os por militares ditadores , marionetes desejosas de vender seu próprio povo a corporações americanas multinacionais? Fizemos isso no Irã quando os Marines e a CIA depuseram Mossadegh porque ele tinha a intenção de nacionalizar a indústria de petróleo. Nós o substituímos pelo Xá Reza Pahlevi e armamos , treinamos e pagamos a sua odiada guarda nacional Savak , que escravizou e brutalizou o povo iraniano para proteger o interesse financeiro de nossas companhias de petróleo.
Depois disso , será difícil imaginar que existam pessoas no Irã que nos odeiem?
Fizemos isso no Chile. Fizemos isso no Vietnã. Mais recentemente , tentamos fazê-lo no Iraque. E , é claro , quantas vezes fizemos isso na Nicarágua e outras repúblicas na América Latina?
Uma vez atrás da outra , temos destituído líderes populares que desejavam que as riquezas da sua terra fossem repartidas pelo povo que as gerou. Nós os substituímos por tiranos assassinos que venderiam o seu próprio povo para que , mediante o pagamento de vultosas propinas para engordar suas contas particulares , a riqueza de sua própria terra pudesse ser tomada por similares à Domino Sugar , à United Fruit Company , à Folgers e por aí vai .
De país em país , nosso governo obstruiu a democracia , sufocou a liberdade e pisoteou os direitos humanos. É por isso que somos odiados ao redor do mundo. E é por isso que somos alvo dos terroristas.
O povo do Canadá desfruta da democracia , da liberdade e dos direitos humanos , assim como o povo da Noruega e da Suécia. O senhor já ouviu falar de embaixadas canadenses , norueguesas ou suecas sendo bombardeadas?
Nós não somos odiados porque praticamos a democracia , a liberdade e os direitos humanos. Nós somos odiados porque nosso governo nega essas coisas aos povos dos países de terceiro mundo, cujos recursos são cobiçados por nossas corporações multinacionais.
Esse ódio que semeamos virou-se contra nós para nos assombrar na forma de terrorismo e , no futuro , terrorismo nuclear.
Uma vez dita a verdade sobre o porquê da ameaça existir e ter sido entendida , a solução torna-se óbvia.
Nós precisamos mudar nossas práticas .
Livrarmo-nos de nossas armas nucleares (unilateralmente , se necessário) irá melhorar nossa segurança. Alterar drasticamente nossa política externa irá assegurá-la.
Em vez de enviar nossos filhos e filhas ao redor do mundo para matar árabes de modo que possamos ter o petróleo que existe sob suas areias , deveríamos mandá-los para reconstruir sua infra-estrutura , fornecer água limpa e alimentar crianças famintas.
Em vez de continuar a matar milhares de crianças iraquianas todos os dias com nossas sanções econômicas , deveríamos ajudar os iraquianos a reconstruir suas usinas elétricas , suas estações de tratamento de água , seus hospitais e todas as outras coisas que destruímos e impedimo-los de reconstruir com sanções econômicas. Em vez de treinar terroristas e esquadrões da morte , deveríamos fechar a Escola das Américas.
Em vez de sustentar a revolta , a desestabilização , o assassínio e o terror em redor do mundo , deveríamos abolir a CIA e dar o dinheiro gasto por ela a agências de assistência. Resumindo , deveríamos ser bons em vez de maus.

Quem iria tentar nos deter? Quem iria nos odiar? Quem iria querer nos bombardear?
Essa é a verdade , Sr. Presidente. É isso que o povo americano precisa
ouvir."


Robert Bowman voou em 101 missões de combate no Vietnã. Atualmente é bispo da United Catholic Church em Melbourne Beach , Flórida.

V.L // 4:51 PM
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Terça-feira, Fevereiro 01, 2005:

E Godard continua polêmico e odiado


Podem dizer que os filmes de Godard são difíceis, herméticos, desleixados, ...
Mas uma coisa não se pode negar: assistir a uma película deste "Quixote" da sétima arte é uma experiência única.
Um profundo estímulo dos sentidos. Ao sair da sala de cinema, os olhos e audição demoram a voltar ao estado normal.
Tudo nos filmes de Godard é poesia, humanismo. Seja devido ao eterno retorno (nada a ver com Nietzsche) ao tema do amor, seja pela crítica aos veículos de massa e exaltação do homem.

E Godard segue fazendo "seus filmes de 01 dólar", como ele próprio gosta de dizer.



Acaba de chegar aos cinemas do Brasil o último filme de Jean-Luc Godard: Nossa Música
O filme é dividido em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso, como a Divina Comédia .
No inferno, imagens da guerra. Aviões, tanques e navios, explosões, execuções, populações em fuga, campos e cidades devastados. Imagens silenciosas, quatro frases, quatro peças musicais. No purgatório, a cidade de Sarajevo contemporânea, martirizada como tantas outras. Personagens reais e imaginários. Uma visita à ponte de Mostar enquanto ela é reconstruída representa a passagem da culpa ao perdão. No paraíso, uma jovem mulher, que vimos no purgatório, encontra paz à beira d'água, em uma pequena praia guardada por fuzileiros navais norte-americanos.

Em suma, Nossa Música pode ser considerado um ensaio visual, mas também filosófico e cinematográfico do mundo contemporâneo. E ninguém mais preparado para colocar todos estes temas em um filme que o maldito, dinossauro e genial cineasta francês Jean- Luc Godard.

V.L // 1:17 AM
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este rapaz (o menino da foto de baixo) já teve muitos nomes: Alberto, Bernardo, Álvaro, Ricardo e Fernando

Como Alberto: guardou rebanhos e matou a metafísica
Como Bernardo: viveu em desassossego
Como Álvaro: respirou a fuligem das fábricas e tabacarias
Como Ricardo: buscou o bucolismo
Como Fernando: deixou sua mensagem

V.L // 12:29 AM
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Domingo, Janeiro 30, 2005:


Este menino escreveu a maior obra poética da língua portuguesa: ...

V.L // 8:12 PM
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Sexta-feira, Janeiro 28, 2005:

ESTA MOÇA PINTA QUE É UMA BELEZA

Nicoletta Tomas Caravia
Madri (1963- )

COM A PALAVRA: A PRÓPRIA

Llevo pintando desde los 27 años....
No es que a esa edad tuviera mi primer contacto con la pintura. De niña solia emplear
casi todo mi tiempo en dibujar y pintar, pero con la adolescencia aquella dedicación
se fue diluyendo en el ruido del mundo que me rodeaba y en la prisa de mi propia juventud. Pintar se quedó en un rincón de mi indolencia, como algo que retomaría algún dia...
Unos cuantos años después tuve a mi hijo, y al poco tiempo volví a tener tímidos encuentroscon la pintura, algún oleo solitario y acuarelas.
Fue a los 27 años, coincidiendo con mi llegada a Valencia, la ciudad en la que vivo
actualmente, cuando todo esto empezó a fluir.
Soy autodidacta. He ido aprendiendo paso a paso, a base de errores, mucho de intuición
Y una buena dosis de empeño,...... .como todo el mundo, supongo.

UM POUCO DE NICOLETTA

Tela: Nina Valiente


Tela: Amantes


p.s: para saber mais acesse: www.nicoletta.info/esp_htm

V.L // 1:00 PM
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Quinta-feira, Janeiro 27, 2005:


Autora: ANA PELUSO (www.palavrap.zip.net)

V.L // 6:19 PM
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Quarta-feira, Janeiro 26, 2005:

AUTORES (O) CULTOS


Sebastião Uchoa Leite nasceu em Timbaúba, PE, em 1935 e faleceu no Rio de Janeiro em 27 de novembro de 2003. Em Recife estudou direito e filosofia, foi professor, trabalhou na Rádio Universitária, participou de Estudos Universitários e do grupo de O Gráfico Amador e co-dirigiu o suplemento literário do Jornal do Comércio. Mudou-se em 1965 para o Rio de Janeiro, onde fez parte do grupo da revista José, tendo trabalhado em diversas editoras, na Enciclopédia Mirador Internacional (com Antônio Houaiss e Otto Maria Carpeaux), na Funarte e no IPHAN.

Sebastião Uchoa Leite publicou os seguintes livros de poemas: Dez sonetos sem matéria (1960), Antilogia (1979), Isso não é aquilo (1982), Obra em dobras (que reúne os anteriores, além de Dez exercícios numa mesa sobre o tempo e espaço, Signos/gnosis e Cortes/toques, 1989), A uma incógnita (1991), A ficção vida (1993), A espreita (2000) e A regra secreta (2002). Publicou também os livros de ensaios Participação da palavra poética (1966), Crítica clandestina (1986) e Jogos e enganos (1995), além de ter traduzido várias obras, como Alice no país das maravilhas e Através do espelho, de Lewis Carroll, Crônicas italianas, de Stendhal, Signos em rotação, de Octavio Paz, O momento futurista, de Marjorie Perloff, e Poesia, de François Villon.


Insônia Respiratória


Antes nunca
Ouvira o invisível poema
Do respirar: não
Ouvira nada
Só o silêncio dos órgãos
Mas o segredo da vida
Era isso
Quando ninguém
Se lembra do corpo
Que de fato
É feito da mesma matéria
Do sono


A ficção morte


Penso em meu pequeno fim
Ouvirei zumbidos?
Sugado pela zona de vácuo?
Ou zero-corpo
Polidimensional
Subindo ao teto
Espiando-me de cima
Os outros em torno
Vozes mentalmente exaladas
Dizem ouvir-se um trinado
Muito alto
Sem zumbidos
Mas aí adeus
Morro de susto outra vez
Dentro da morte

Biografia e poemas retirados do site www.secrel.com.br/jpoesia

V.L // 10:33 PM
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Esperança

o homem no interior
do templo
franzino
aguarda o retorno do
messias qual
a mulher
sisuda
espera a volta do marido
bêbado
com um rolo
de macarrão debaixo
dos braços.

V.L // 12:39 AM
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"Fazer"poético

A realidade
A escrita alimenta
O poeta
Mente
A vida
Inventa...

V.L // 12:38 AM
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Morte Súbita

Caiu
Não mais levantou
Um sorriso lhe escapuliu
Uma lâmina o escalpelou

V.L // 12:37 AM
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Dia
Logos




- O cachorro me bate todo dia.
- Depois me deita de bruços e bota tudo dentro.
- E você não faz nada?
- Até tento, mas ele é um brutamontes!
- Denuncia ele.
- Não posso, o viado me mata.
- Então eu denuncio.
- Não senhora, o marido é meu.
- Mas filhinha, deixa a mãe ajudar.
- Não, não, não...
- Mas ele é seu pai.
- E isto não te dá o direito de roubar ele de mim.

V.L // 12:32 AM
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Po(e)mas só-lidos ao Vento

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